COMO CONDICIONAR UMA CRIANÇA
Não é novidade para nenhuma pessoa sensata que um dos mais poderosos meios para condicionar uma criança, é através das expectativas que se cria sobre essa criança. Gosto muito do canal ID (Investigação Discovery) por que alguns dos seus programas exibidos retratam com exatidão como funciona a mente dos homens mais perversos da história da criminologia americana. Não é apenas nos Estados Unidos que crimes terríveis acontecem. Não é somente nos Estados Unidos que existem serial killers, ou, como seriam mais conhecidos no Brasil, assassinos em série. Pode parecer que as primeiras palavras desse artigo, no blog hoje, não tenham nenhuma concordância, mas por favor, continuem lendo e vocês entenderão. No programa "Dementes", temos sempre a história de assassinos em série contada de uma forma diferente. Enquanto no Brasil, e em qualquer parte do mundo, essas pessoas seriam tratadas como monstros diabólicos, sem coração e sem alma, desprovidos de qualquer sentimento (normalmente eles são desprovidos de qualquer sentimento ou emoção. Não de alma, mas sim de emoções, quando nos referimos a ter ou não um coração). O programa investiga a infância, como foram criados, suas influências e exemplos. Para quem acompanha, a maldade inerente começa a fazer muito sentido. Outro programa, "Gêmeos e Perversos", relata a história de irmãos gêmeos idênticos que foram capazes de práticas criminosas e assassinas influenciados pela criação que tiveram e por distúrbios familiares.
Pode parecer normal para uma sociedade que um casal se separe, se divorcie, contudo, quando envolve crianças pequenas, a influência "pode", não disse que "é", e sim, pode desestruturar os conceitos inconscientes de segurança familiar que uma criança começa a construir desde quando está no ventre de sua mão, sentindo o amor de sua mãe e a presença e o amor de seu pai por perto o tempo todo. O que quero dizer é que um ambiente familiar estruturado pode e será o alicerce para o crescimento saudável e social dessa criança em meio a interação com as demais pessoas. Levando-se em conta que o desenvolvimento intelectual de uma criança passa pelo crivo da capacidade de se relacionar com outras crianças enquanto cresce.
No entanto, grandes são os desafios para o desenvolvimento de uma criança enquanto indivíduo no meio de uma sociedade discriminatória e desajustada como é o modelo de referencia social em dias atuais. Se uma criança está acima do peso ela é logo tachada de "gordinha", e crianças maiores com sérios problemas em sua estrutura psicologia, moral e social, sentem-se no direito de perturbar a criança gordinha e desajeitada da sala. Se a criança é um magricela e usa óculos torna-se motivo de piada por garotos ou garotas que normalmente são cercados de outros garotos e garotas que possuem a mesma estrutura de desenvolvimento intelectual que elas, e as faz acreditar que sua condição física aparentemente privilegiada é critério para menosprezar ou ridicularizar crianças desprovidas das mesmas capacidades de beleza física, ou intelectuais.
Lembro-me que quando estudava no ensino médio, toda época de carnaval, a turma se juntava (Toda a turma), e iam todos pular o carnaval. Sendo assim, nenhum professor poderia dar falta por que teria que fazê-lo para a turma toda. Não sei que critérios usavam para chegar a conclusão que se todos faltassem simultaneamente não poderiam levar faltas. Decidi que não iria faltar as aulas. Fui perseguido, ameaçado, intimidado. Por que? o mesmo critério que utilizavam para acreditarem que a ausência de todos não poderia acarretar faltas na pauta era utilizado para acreditar que se houvesse apenas um que assistisse as aulas, eles receberiam as faltas, desde que os professores estivessem dispostos a dar aula para uma sala cheia de cadeiras e um aluno. Algumas vezes estavam e quem estava lá? Bem, eu estava lá. Fiz muitos inimigos por causa disso. As vezes era necessário sair da sala para o ponto de ônibus escoltado pelo enorme professor de educação física. "Seu eu fosse grande assim..." eu pensava. Fato é que atendi as expectativas que meus professores tinham a meu respeito por causa da minha conduta diferente dos demais alunos e naquele anos, havia obtido excelentes notas nas provas. Mutos precisaram de ajuda nos estudos para não repetirem o ano. até os que queriam quebrar minha cara por que eu era o "puxa-saco" de professores. Temos critérios de avaliação e julgamentos tão estranhos! Bem, acabei, por solicitação dos professores sentando-me com cada um dos que queriam partir minha cara e ensinava as matérias para que pudessem tirar notas melhores. É lógico que isso não me fez ou me faz atualmente, melhor e mais privilegiado intelectualmente do que ninguém, por que não sou.
O que estou querendo dizer é que ninguém é burro ou tolo ou deve ser ridicularizado por não estar enturmado. Alguns dos casos de ataques em escolas americanas aconteceram justamente por causa de atitudes de despeito, ridicularização, desrespeito, etc.
Lembro-me de uns anos atrás, quando uma amiga solicitou que eu a substituísse em algumas aulas para crianças na escola que trabalhava. Fiquei duas semanas dando aulas para meninos e meninas entre 7 e 12 anos. Uma das coisas que gostava muito de fazer era tirar 15 minutos e "entrar" na mente deles com sugestões que iam desde a capacidade de aprendizado que cada um deles tinha inerente a eles e ninguém, me, seus pais poderiam tirar isso deles, até o momento em que pedia que lembrassem de uma brincadeira que muitos lhes dava prazer de realizar. Quando percebia que, na mente deles, estavam no ápice da alegria e da diversão, então eu fundia essas sensações com o prazer do aprendizado na escola. Foi claramente percebido o reflexo que esses quinze minutos fizeram nas notas dos alunos. Mas eu tive um pequeno e, de certa forma, agradável problema. Recebi a visita de uma mão de um aluno e ela perguntou o que eu estava ensinando ao seu filho. Eu demonstrei a minha surpresa com a pergunta por que era óbvio que não sabia do que ela falava. Ela me disse que Quando "explode", xinga o menino de burro, de tapado e diz que ele nunca será nada na vida. Numa dessas "explosões", o menino olhou para ela nos olhos e calmamente disse: "Você está errada, mãe. O professor Fábio disse que eu sou muito capaz, e que ser alguém na vida só depende de mim. E eu acredito que vou ser alguém na vida, mesmo que nem mesmo você acredite nisso". Não é novidade que a resposta do menino causou um impacto em sua mãe. E é esse o assunto da continuação desse artigo.
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